Citta Vritti Nirodah

Em busca de iluminação

Como ter um ovo sem uma galinha?

Assisti recentemente ao filme “Uma verdade incoveniente”, do Al Gore. O filme, para quem não conhece, fala a respeito das mudanças climáticas que o ser humano tem causado ao meio ambiente, que nos levará a uma nova era do gelo.

Em alguns trechos, Al Gore mostra como o ser humano coloca o lucro na frente do bem estar ambiental. Algo que, em minha humilde opinião, é desprovido de sentido. Como podem querer ganhar dinheiro explorando o meio ambiente, se essa própria exploração vai destruir o meio ambiente do qual querem usufruir com o dinheiro que ganharam.

Essa mesma atitude me fez lembrar meu pai.

Ele sempre trabalhou muito. De segunda à sexta, de 7:30h às 22h, e muitas vezes sábados.

Ele, que já estava acima do peso, com o tempo, engordou mais. De tempos em tempos, eu lembro de perguntar a ele porque não deixava de ministrar alguns tempos de aula para fazer musculação ou outro esporte. Mas ele sempre respondia de uma forma até meio agressiva dizendo que precisava ganhar dinheiro para nos sustentar, e que diminuir a carga de trabalho poderia fazê-lo perder o emprego.

O resultado dessa atitude é que tive um pai ausente da vida social familiar. Nunca estava em casa, e quando estava não participava da convivência. Algumas vezes porque precisava descansar, outras porque precisava preparar o material da semana.

Além do sobrepeso, que ocasionava distúrbios do sono, que ocasionava cansaço e mau humor, veio a diabetes.

Então eu pergunto: de que adianta se matar de trabalhar para sustentar a família que você desconhece porque a convivência é impossível por estar trabalhando tanto? Qual a vantagem de viver para o trabalho para ter uma aposentadoria gorda, e jogar no lixo os melhores momentos da sua vida?

Pense nisso.

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